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15 de fevereiro de 2018

Grupos convidados brilharam na catedral do Carnaval do país

Sem grande falange não deverem nada, como constatou a reportagem do Jornal de Angola, aos grandes papões dos títulos de Carnaval em Luanda. Verdade seja dita, deram uma nova roupagem ao desfile central. Receberam muitos aplausos.  festa do Entrudo começou às 16h00 depois da chegada do Presidente da República, João Lourenço. O governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, na presença de vários governantes, com destaque para a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, deputados e convidados, fez a abertura da festa mais popular do país.

O grupo Carnavalesco Jovens da Cacimba, como homenageado, foi o primeiro  a desfilar. Além dos adultos, levaram crianças com sorrisos e alegrias, visíveis  nos seus semblantes  e mostraram o contentamento por receberem essa homenagem. As crianças  parecem inocentes mas já estão a receber o testemunho dos mais velhos. É uma bênção para  a Maianga.  Maringas, grupo Carnavalesco da Lunda-Norte, foi o primeiro a desfilar na catedral da Nova Marginal. Depois seguiram-se o Mayeta Tchakuo-Tchechacuo de Cabinda, o Ovinjinji do Huambo e o União Meteda do Cuanza-Sul. Os integrantes destes grupos vieram a Luanda mas não tinham a dimensão da sua participação.

Foi uma boa iniciativa do Ministério da Cultura. E os responsáveis dos  grupos disseram isso ao Jornal de Angola. Gilberto Simão, comandante do Grupo União Mateda do Cuanza-Sul disse que fizeram uma viagem turística divertida e tranquila e às 15h00 estavam a pisar o solo da capital do país.  “Realmente é uma troca de experiências boa porque nós não viemos aqui para competir mas para participar apenas e está a ser proveitosa a interacção com outros grupos de Benguela, Cabinda, Huambo e Lunda-Norte porque são províncias com grupos Carnavalescos muito simpáticos que estão a mostrar o outro lado do Carnaval da região Sul”, disse com   entusiasmo.

Luanda, disse, tem grandes grupos carnavalescos que merecem respeito, mas deve-se reconhecer que as outras regiões também têm bons grupos. "O problema está no ritmo e na dança. Acredito que a iniciativa do Ministério da Cultura é bem-vinda". Gilberto Simão lança um desafio ao Ministério da Cultura. “Realmente nós gostaríamos que um dia os grupos de Luanda e o Ministério da Cultura se pronunciassem em fazer o Carnaval a nível nacional. Seria prestigiante para a província que vai albergar o desfile. Assim ganha o país e a cultura nacional.” E acrescenta: “A credito que depois do desfile do Carnaval vamos analisar os nossos erros e com calma vamos interagir com os membros dos grupos de Luanda.” 

Representação

O grupo da província do Cu-anza-Sul durante a sua exibição “descreveu” a vivência, a convivência e as tradições daquela população como o catita, catambio e o cagondó mas não deixando de parte as danças modernas, que  fazem uma simbiose das danças modernas e tradicionais. Cada dança tem um significado e faz-se essas danças em rituais de casamento, óbito e circuncisão.

Joaquim Neto “Flay”    Quinhentas pessoas integram o grupo Bravos da Vitória de Benguela, que já  teve o melhor Carnaval do país, segundo alguns estudiosos na matéria. Infelizmente o grupo trouxe, apenas, para Luanda 200 figurados, entre dançarinos, batuqueiros e a corte. O grupo é composto por 17 batuqueiros com as caixas graves que são os bumbos e as caixas a solo com tonalidade média, cornetas e  sinetas. É o realizar do sonho dos benguelenses porque não é somente dos Bravos da Vitória mas da província de Benguela, porque desde 1978  que este grupo vem dando o seu contributo para a qualidade do Carnaval a nível da região.

 “Temos 27 títulos, desde 1978 que o grupo foi fundado pelo malogrado Mário Santos, este ano vamos completar 40 anos de existência. É importante, em função da troca de experiências porque as pessoas estão ansiosas em querer conhecer os Bravos da Vitória”, referiu.

Cabinda

O grupo Carnavalesco de Cabinda, tal como os outros, foi  aplaudido pelos foliões. As dançarias trajaram-se de vestes tradicionais da terra. É um grupo que já conquistou vários títulos a nível provincial. A dança tradicional Mayeye e Merengue foi a peça central que apresentou o grupo, que é dichicumbe, um ritual que se faz na província de Cabinda quando uma mulher é virgem e não se pode  relacionar ou engravidar sem antes passar por este ritual. E quando engravida e não passar por este ritual tem de ir até ao Thizo dançar em fiote, bubi bubi que é dançada nua durante a noite perante a sua família. Se não cumprirem  o  ritual, o casal pode ter consequências tradicionais, conforme a tradição.

Chuva estraga a festa

A festa do Entrudo está bonita. Foram centenas de foliões que compareceram na catedral da Marginal de Luanda. O grupo homenageado, Jovens da Cacimba, levou uma falange, onde estavam integrados alguns cidadãos estrangeiros. Estavam trajados de bessanganas. Conseguiram acompanhar a passada. Foi bonito ver. Tanto é que os repórteres fotográficos e de câmara disputavam a melhor posição para tirar a melhor imagem. A chuva que caiu estragou a festa. Mas os grupos Carnavalescos Kabocomeu, União Kiela, Mundo da Ilha e outros que desfilaram antes da chuva começar a cair brilharam. Receberam muitos aplausos. O Jornal de Angola constatou que os grupos Kabocomeu e União Kiela arrastaram meio mundo na Marginal. 

Mas o União Mundo da Ilha levou todos os ilhéus  à catedral. Se é verdade ou mentira, é o que o mestre de cerimónia, Afonso Quintas, depois do Mundo ter passado pela tribuna principal, e quan-do a chuva já caia com pouca intensidade, disse: “O Grupo União Mundo da Ilha conseguiu amarrar a chuva. Já desfilaram. Agora nós é que vamos cuidar de amarrar a chuva.”  Infelizmente a chuva co-meçou a cair com intensidade, quando o grupo Carnavalesco Kazucuta do Sambizanga, um autêntico candidato ao título, passava pela tribuna. Os foliões permaneceram e queriam acompanhar a festa até ao fim. Mas  o  júri  reuniu de emergência e mandou “acabar com a festa”. Mas os foliões continuaram a festa, pelo menos até às zero horas, altura em que a reportagem do Jornal de Angola se retirou do local. 

 

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