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31 de julho de 2017

Os licenciados e o emprego

Em quase todas as Universidades, ao fim de cinco anos de formação, os estudantes são formados em Ciências de Comunicação, Saúde, Arquitectura e Urbanismo, Engenharia Civil, Relações Internacionais, Economia e Gestão,Turismo e Gestão Hoteleira. Igualmente, os estudantes ganham cursam Engenharia Informática, Direito, Organização de Gestão de Empresas, Gestão de Recursos Humanos, Gestão Comercial e Marketing e Informática de Gestão. Depois da conclusão do curso, os finalistas têm seis meses para prepararem a elaboração do trabalho de fim de curso. As diversas cerimónias de entrega de diplomas realizadas este ano foram marcadas por um ambiente solene e de euforia, intercalado por momentos culturais.

Na plateia, os familiares e amigos manifestavam satisfação em ver um acto tão esperado. Do outro lado estava a mesa do jurado, composta por reitores, decanos, entidades da educação e convidados. O Centro de Conferências de Belas foi o recinto que mais recebeu a cerimónia de entrega de diplomas, com mais de 12 cerimónias realizadas, e em todas teve a sala cheia. A falta de experiência O Jornal de Angola ouviu alguns estudantes licenciados que já receberam o “canudo” nos anos anteriores. Muitos deles ainda não conseguiram o seu primeiro emprego. Um dos casos é de Denilson Chiriguini de 25 anos, licenciado em Engenharia Informática, que já tentou várias formas para conseguir emprego, mas sem êxito.

O jovem lamenta o facto de lhe ser exigido uma experiência de três anos. Joaninga Maluenha, de 27 anos, licenciada em Comunicação Social, até hoje não consegue emprego na área em que se formou. Desde 2013, para ter rendimentos,  trabalha num restaurante. Dois anos depois da sua formação, o jovem Ramino Cruz, fez a inscrição no Centro de Emprego, tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, e mantém a esperança de ser chamado. O espaço é todos os dias frequentado por muitos jovens formados e sem formação à procura de emprego. A reitora da Universidade Metodista de Angola (UMA), Teresa da Silva Neto, destaca que as Universidades asseguram o conhecimento credível e com domínio técnico e científico para a área da actividade profissional respectiva.

Percentagem de sucesso Infelizmente, nos últimos anos, o número de licenciados colocados ao dispor do mercado de trabalho tem sido superior às oportunidades de emprego disponíveis. Para Teresa Neto, apesar de muitas Universidades terem protocolos com instituições e Ministérios, no sentido de garantir emprego aos estudantes mais destacados, isso é insuficiente. Em cada 100 jovens licenciados, apenas, três ou quatro têm emprego garantido. Do quadro de licenciados mais destacados que restam, alguns alunos são recrutados pelas próprias Universidades para preencherem o quadro de docentes vagos. No desempenho das actividades de docência, os recrutados atingem o grau de professores titulares, depois de exercerem a categoria de professor auxiliar, professor assistente.

Mas, antes, são submetidos a seminários de capacitação para obterem ao agregado pedagógico. Nos últimos anos, cerca de 13 estudantes do curso de Engenharia Civil foram contratados pelas empresas Odebrecht e Teixeira Duarte. No sector da Saúde mais de 25 licenciados, enquadrados nos Hospitais Lucrécia Paim, Josina Machael, Divina Providência, ainda em Ministérios e equipas de futebol que precisavam de fisioterapeutas, enfermeiros e médicos, salientou a reitora da UMA, Teresa Neto. Na UMA, boa parte dos licenciados tiveram o primeiro emprego de imediato. Os formados nas áreas de Gestão e Administração de Empresas, foram empregados nas empresas do ramo bancário, alguns em Direito estão na Procuradoria da República, os que fizeram Recursos Humanos estão em diversas empresas.

Mais solicitados “É triste saber que o número de estudantes finalistas solicitados pelas empresas para trabalhar é muito pouco. Entre os contratados estão estudantes finalistas dos cursos de Análises Clínicas, Direito e Gestão e Administração de Empresas”. Na luta pelo primeiro emprego, os estudantes finalistas que menos sofrem, são os trabalhadores estudantes. É um grupo de jovens considerável, que já está empregado e que, depois de ter concluído o ensino médio, decidiu dar continuidade aos estudos e, consequentemente, concluir o ensino universitário. É o caso de Domingas Anastácio, que em 2008 concluiu o curso de Ciências Biológicas na Escola 4 de Junho, (numa unidade da Polícia) e decidiu concluir a formação universitária.

Domingas Anastácio trabalha numa clínica da capital. Para ela, sempre foi o seu sonho estudar na Universidade e concluir o Curso Superior de Enfermagem. “Foi um grande sacrifício. Mas, estou muito feliz. Hoje, sou mais competente naquilo que faço”. Alexandro de Sousa, 26 anos, foi dos estudantes licenciados pela UMA. Formado em Arquitectura, é Professor Auxiliar da disciplina e também desempenha o cargo de técnico da Unidade de Acompanhamento de Projectos Financiados pelo Ministério das Finanças. Acumula ainda o cargo de presidente de uma associação filantrópica Unidos por uma Angola Melhor (UPAM). Entrou para a UMA em 2008 e terminou em 2013.

No trabalho de final de curso, Alexandro de Sousa obteve 16 valores. “Para chegar aqui, tive de recorrer muito aos livros, aconselho aos outros jovens a não desistirem dos seus sonhos, devem lutar sempre para conseguir os      seus objectivos”, disse. Adérito Tati, 26 anos, formado em Direito pela UMA, terminou o curso em 2015 com 17 valores. Proveniente de Cabinda, o jovem veio atrás do seu sonho com o pé direito. No primeiro ano foi  eleito delegado de turma. No segundo ano tornou-se presidente da Associação dos Estudantes da UMA, cargo que exerceu até ao último dia da sua formação. “Não foi fácil estudar e ao mesmo tempo responder pelo cargo de presidente da associação. Porque tinha de deixar de assistir algumas aulas para atender as preocupações dos estudantes, participar em encontros com a direcção da universidade, só depois, é que podia recuperar a matéria perdida e estudar durante doze horas por dia”, contou Adérito Tati.

Citando uma passagem de Nelson Mande, Adérito Tati considera que “a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo e as pessoas”. Referiu que ser importante os jovens apostar mais na sua formação não só académica, como também técnico-profissional, para poder dar uma melhor resposta às necessidades da sociedade.  Actualmente, Adérito Tati desempenha a função de Assessor do Gabinete Jurídico e Professor Assistente da Universidade Metodista de Angola, na disciplina de Introdução ao Estudo do Direito. Osvaldo Maria Pascoal, 27 anos, formado em Direito pela Universidade Católica, começou a formação em 2011 e terminou a licenciatura em 2015 com 13 valores. Pelo seu bom desempenho durante a formação, o jovem foi convidado a integrar os quadros do Ministério da Administração do Território. Mas também exerce a profissão de advogado e professor.  Osvaldo considera que o mercado de trabalho no país é muito exigente. O número de cidadãos jovens formados está cada vez a crescer.

Universidades apresentam níveis excelentes

 A Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto formou este ano 167 licenciados e cinco mestres foram diplomados. Na cerimónia de outorga de diplomas, o Decano da Universidade disse ser de grande importância a consagração destes estudantes por se tratar da  32.ª outorga de diplomas, da institucionalização de cinco mestrados sob o comando exclusivo de professores angolanos e a reedição do curso de Doutoramento. Do total de diplomados, 46 são da área Jurídico-Económica, 90 da  Jurídico-Forense e 29 Jurídico-Políticas. Neste grupo, 140 alunos frequentaram o curso regular, 25 o pós-laboral, 111 dos formados são do sexo masculino e 54 do feminino.

Os 167 formandos hoje consagrados representam a segunda maior geração de licenciados desde a fundação da instituição do ensino superior, superada apenas pelos 291, lançados em 2012. A Universidade José Eduardo dos Santos, no Huambo, outorgou certificados a 690 finalistas de distintos cursos. Em cada ano, esta instituição de ensino superior prevê graduar 1.000 finalistas, nas três províncias que compõem a V Região Académica do país, nomeadamente, Bié e Moxico. Receberam os seus diplomas e certificados 25 finalistas da Faculdade de Ciências Agrárias, 40 da Faculdade de Medicina Humana, 63 da Faculdade de Direito, 65 da faculdade de Medicina Humana, 67 da Faculdade de Economia e 430 do Instituto Superior Politécnico.

Esta é a segunda edição do género, sendo que, em 2016, foram abrangidos 1.310 finalistas, que concluíram a sua formação nos anos 2013, 2014 e 2015. A Universidade José Eduardo dos Santos existe desde 12 de Maio de 2009 e ministra 33 cursos de licenciatura. Universidade católica A Universidade Católica de Angola (UCAN) outorgou este ano, em Luanda, 557 diplomas a novos licenciados das várias unidades orgânicas desta instituição do ensino superior. Receberam diplomas estudantes dos cursos de Economia  e Gestão (187), Direito (123), Engenharia (75), Ciências Humanas (71), Saúde (23) e Teologia (4), que concluíram a formação em 2016. Foram ainda entregues diplomas a 39 estudantes formados no Instituto Superior João Paulo II, enquanto 49 licenciados em Filosofia e em Pedagogia pelo Instituto Superior Dom Bosco receberam também os seus certificados. A cerimónia serviu também para outorgar certificados a 14 bacharéis da UCAN.

Surgimento do ensino superior O ensino superior foi implantado em Angola (então colónia) somente no ano de 1962, com a criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola.      Com a proclamação da Independência, em 1975, foi criada a Universidade de Angola (em 1976), mantendo-se durante muito tempo como uma única instituição de ensino superior de âmbito nacional. No ano de 1985, a Universidade de Angola passou a designar-se Universidade Agostinho Neto, que se manteve até 2009 como única instituição no país.

Nesse ano, a UAN foi “partida” em sete unidades de âmbito regional, mantendo-se a UAN a funcionar em Luanda e na província do Bengo, enquanto as Faculdades, Institutos e Escolas Superiores localizados nas outras províncias passaram a ficar afectos às seis novas Universidades estatais:  Katyavala Bwila (opera nas províncias de Benguela e Cuanza-Sul), 11 de Novembro (Cabinda e Zaire), Lueji-a-Nkonde (Luanda-Norte, Lunda-Sul e Malange), José Eduardo dos Santos (Huambo, Bié e Moxico), Mandume ya Ndemofayo (Huíla, Cunene, Cuando Cubango e Namibe) e Kimpa Vita (Uíge e Cuanza-Norte).

 

Notícias

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