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18 de julho de 2017

Pescas têm academia

Construída na cidade de Moçâmedes, província do Namibe, com apoio da República da Polónia a instituição vai tornar Angola um país exportador de serviços educacionais de alto nível, segundo a ministra das Pescas. A instituição de ensino, que já funciona desde Maio com 576 alunos, é um moderno centro de formação profissional marítima de nível superior, comparável em termos de equipamentos e infraestrutura com os melhores do mundo.

 Com o funcionamento da Academia, a ministra Victória de Barros Neto referiu que o país vai reduzir significativamente a necessidade de envio de bolseiros para o estrangeiro e passará a receber estudantes de outros países. A ideia da sua criação, explicou a ministra das Pescas, foi do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, há 10 anos, para a formação de quadros superiores e permitir a revitalização do sector das Pescas. Victória de Barros Neto disse que o corpo docente, constituído por angolanos, polacos e de outras nacionalidades, vai garantir o cumprimento das normas internacionais vigentes no ensino superior no ramo das Ciências do Mar e emitir diplomas reconhecidos internacionalmente.

A Academia de Pescas e Ciências do Mar, acrescentou a ministra, vai também funcionar como um centro de pesquisas científicas no âmbito da Convenção da Corrente de Benguela que junta Angola, Namíbia e a África do Sul.  Victória de Barros Neto informou ainda que após a conclusão da terceira fase de construção a Academia vai ter um navio–escola, uma clínica, um centro desportivo, biblioteca e outros equipamentos complementares que vão garantir o seu pleno funcionamento. O embaixador da Polónia, Josef Myhiwiec, que foi recebido em audiência pelo Vice-Presidente da República no palácio do governo da província do Namibe, anunciou que o governo do seu país disponibilizou mais de 60 milhões de dólares para a conclusão da terceira fase do projecto e vai enviar professores para reforçar o corpo docente da Academia.

No âmbito da cooperação bilateral, a Polónia apoiou a construção da primeira e segunda fases do projecto com 37 milhões de dólares,com  tecnologias e com a sua experiência no ensino superior marítimo. O Executivo angolano gastou 74 milhões de dólares, o que totaliza 111 milhões gastos até ao momento.  O governador da província do Namibe, Carlos da Rocha Cruz, apelou aos responsáveis da Academia a trabalharem para que a qualidade de ensino corresponda à excelência das suas infraestruturas técnicas e tecnológicas, formando quadros de alta qualidade para melhor servir a indústria pesqueira e de navegação marítima. “Reiteramos à classe docente e discente que se engajem ao máximo para o salto qualitativo rumo ao desenvolvimento do nosso país, que passa necessariamente pela conservação e preservação desta instituição”, reforçou. 

Depois da inauguração e visita às instalações da Academia, o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, acompanhado por uma vasta delegação composta por ministros de vários sectores e responsáveis do ramo das Pescas, ofereceu dois autocarrospara a instituição de ensino e 24 computadores para alunos e professores.  Bernarda Sapalo, de 24 anos, faz parte dos 576 jovens que têm o privilégio de serem os primeiros estudantes da Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe. Matriculada no curso de Administração e Gestão Marítima, concorreu por uma vaga com mais de 1.200 candidatos, dos quais 581 do sexo feminino. “Para mim, é um grande orgulho ser estudante desta academia logo no primeiro ano, e tudo o que tenho a fazer agora é dar o meu máximo para o bem do nosso país”, disse entre sorrisos de alegria.

Além dela, outros 96 estudantes foram admitidos em Administração e Gestão Marítima, um dos cursos que começou no primeiro ano lectivo, a 2 de Maio último. São três faculdades em funcionamento num mesmo lugar: Pescas, Processamento de Pescado e Exploração de Recursos Marinhos. Possuem, no total, 14 cursos de licenciatura e engenharia, mas no presente ano lectivo abriram apenas seis, nomeadamente o curso de Navegação, Mecânica Naval, Administração e Gestão Marítima, Tecnologia e Organização de Processamento de Pescado, Aquicultura e Recursos Marinhos, todos com 96 estudantes matriculados. Dos 576 estudantes admitidos, das 18 províncias do país, 213 são do sexo feminino.

Quando se iniciarem os demais cursos, prevê-se que cerca de mil alunos venham a frequentar a Academia. Um total de 52 professores constitui o corpo docente que assegura o funcionamento da Academia nesta primeira fase, auxiliados por outros 36 funcionários. História A construção da Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe é o resultado de uma visita que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, efectuou à Polónia, em 2003, a fim de reforçar a cooperação entre os dois países na área das ciências do mar, visto que desde a década de 1980 muitos professores polacos fazem parte do corpo docente do Instituto Médio Marítimo Hélder Neto, localizado na cidade de Moçâmedes.

O empreendimento começou ser construído em 2008, num projecto que inclui a instalação de três faculdades, centro de treino e salvamento, biblioteca, residências para estudantes e quadro docente, centro de processamento de pescados, 30 laboratórios temáticos, entre outros empreendimentos. Previa-se que até 2015 as aulas tivessem início, mas constrangimentos de vária ordem levaram a que os trabalhos ficassem concluídos apenas em 2016. A primeira fase do projecto, que terminou em 2012, levou à edificação de seis edifícios que albergam, nomeadamente, a parte administrativa e a sala de simuladores, bem como as três faculdades.

A segunda fase, que terminou em finais de 2016, incluiu a construção de uma conduta de água potável para abastecer a Academia, bem como um ramal de energia eléctrica. Foi também construído um internato com capacidade para 120 camas para os alunos e um bairro residencial para o corpo docente, com 12 casas do tipo T3 e T2. A empresa polaca Navimor International esteve à frente da empreitada, mas os trabalhos envolveram técnicos e engenheiros de várias nacionalidades, entre polacos, chineses e angolanos, num total de 50 empresas. A Academia de Pescas do Namibe começou a ser executada com o apoio do Governo polaco.

 

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