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13 de março de 2017

Presidente assiste em Laúca ao enchimento da barragem

Situada na província de Malanje, Laúca é actualmente a maior obra em execução no país. O projecto é encomendado pelo Estado angolano, representado pelo Gamek, e é concretizado pela brasileira Odebrecht e fiscalizado pela DAR Angola. O projecto iniciou há quatro anos. Encontra-se neste momento a 86 por cento de avanço nas obras civis, 72 por cento na montagem da electromecânica e 14 por cento no sistema de transporte de energia, que deve contar com uma linha de 700 quilómetros.

Quando o AHL estiver 100 por cento operacional, vai produzir mais que o dobro de energia das outras duas barragens já em funcionamento no rio Cuanza. Laúca vai produzir 8.643 GWh (gigawatts) de energia eléctrica, o que representa um potencial instalado de 2.070 megawatts. Todo este potencial é gerado a partir da força produzida pelos 200 metros de queda líquida  Para ilustrar o quão gigantesca é a obra, basta olhar para os números. Laúca cresce a 180 mil metros cúbicos de betão por mês.

Quando a obra estiver terminada, estima-se que tenha gasto 600 mil metros cúbicos de betão. A quantidade de materiais utilizados numa obra deste porte surpreende. Os números são expressivos e esdrúxulos. Só para se ter uma noção, para Laúca chegar ao gigante que é, foram precisos 6 milhões de metros cúbicos de escavações a céu aberto, 1,6 milhões de metros cúbicos, em escavações subterrâneas, 2,6 milhões de metros cúbicos de betão compactado a cilindro e 500 mil metros cúbicos de betão estrutural. Passos calculados Uma cidade de empregados

Cada passo em Laúca é bem calculado. O programa “Acidente zero” assim o recomenda. O dia-a-dia dos milhares de técnicos da área produtiva, empreiteiros, funcionários administrativos e das áreas de apoio é a marca do trabalho. Cada um deles está longe da família meses a fio, ou seja, em cada dois meses, há “folga” de uma semana. A realização do projecto exige uma grande estrutura de apoio. Laúca é, por isso, uma cidade com tudo quanto qualquer outra bem planeada e ordenada obra deve ter: espaços de lazer, desportivos, alojamento, refeitórios, serviços de saúde, superfícies comerciais e serviços bancários. Tem até ruas que homenageiam as 18 províncias.

Há uma rua que se chama Huambo, outra Bié e tem também uma rua Luanda. Tem mais. A cidade é também ecuménica. Conta com quatro Igrejas: Católica, Adventista, Evangélica e um Salão das Testemunhas de Jeová. Há ainda espaço para cursos de noivos.   A área de lazer e serviços impressiona. Palco para eventos, agência bancária, multicaixa, farmácia, lan house, restaurante, cine-teatro, sala de jogos de mesa e cabeleireiros. A área desportiva inclui três campos de futebol, dois campos de ténis, três campos polidesportivos, um campo de voleibol de área e três ginásios equipados, com o que há de melhor neste universo desportivo. Os alojamentos são preparados para atender os funcionários, mas também os visitantes.

A estrutura distribui-se em 160 quartos individuais, 879 quartos duplos, que podem ser triplos, 4.053 quartos com capacidade para quatro pessoas, 33 alojamentos contentores e 193 vagas distribuídas em alojamentos residenciais. A estrutura da cozinha e refeitório é outro aspecto que salta à vista. A estrutura funciona 24 horas por dia. Para a alimentação de todo o efectivo, são necessárias 228 toneladas de carne (embutidos, aves e bovinos), 28 toneladas de arroz, 16 toneladas de feijão, 33 toneladas de farinha de trigo e 750 mil unidades de itens de panificação e pastelaria (pão, bolo e torradas). É assim que a pequena cidade de Laúca, sempre em movimento e em constante mobilização de homens e máquinas, marca o seu dia-a-dia, e apenas soma e segue. Não há espaço para regressão.

Mas a saúde, esta está em primeiro lugar. Laúca tem um centro médico, preparado para dar resposta a quase tudo. Tem laboratório de análises: electrocardiograma, espirometria, audiometria, acuidade visual, electroencefalograma, raios X e teste de vedação. Face à grandiosidade do projecto, que impõe um número expressivo de frentes e profissionais nas mais diversas funções, o comprometimento individual é fundamental. Laúca é por isso, um pólo de geração de emprego. Hoje, conta com 8.458 trabalhadores e para o orgulho do país, 8.035 são nacionais oriundos das 18 províncias, o que representa 95 por cento de toda a força produtiva instalada, na execução da obra.

Os 423 são estrangeiros (Brasil, Colômbia, Venezuela, Portugal, Equador e República Dominicana), que representam cinco por cento. Para capacitação profissional, Laúca tem um projecto denominado “Programa Acreditar”, que oferece formação básica e específica, não só aos trabalhadores, mas também à comunidade. Até agora, 3.018 estão formados no módulo básico e 871 no módulo específico. Desse número, 1.859 foram contratados após passarem pelo “Programa Acreditar”. Outro aspecto digno de nota é o modo como são seguidas, à risca, as regras de segurança do trabalho.

Esta regra actua em todas as frentes. O objectivo é manter a meta “acidente zero”. Além disso, segue em toda a linha, um programa para garantir o equilíbrio do ecossistema local. O projecto realiza o replantio da vegetação local e trabalha na recuperação de 60 hectares de área degradada. Quanto ao programa de responsabilidade social, Laúca olha para o desenvolvimento das comunidades vizinhas. Neste sentido, o programa de reassentamento permitiu cadastrar 110 famílias em seis aldeias, o que redunda em 467 pessoas, além de levar a cabo um programa de aceleração escolar e combate à malária, entre outros aspectos.

Desporto é vida

Abiúde Miranda é um dos responsáveis da administração e lazer do AHL. Aficionado pela prática de Desporto, Abiúde apoia a filosofia de Laúca quanto ao Desporto. “A cidade é de empregados de várias culturas, hábitos e costumes. Por isso, procuramos criar modalidades que se adaptem ao perfil de cada um sem exclusão”, sublinha e acrescenta: “temos um  conceito que pretende valorizar a inclinação desportiva de cada um, suportado pelo “Projecto Vida Saudável”. Abiúde Miranda aconselha que antes de praticar actividade física, as pessoas são submetidas a um exame nutricional e médico, como é regra. Só depois do diagnóstico é que se dá o aconselhamento à prática de actividades desportivas. Em Laúca, a prática do Desporto vai de segunda a segunda.

Ao domingo é realizada a caminhada de amigos, modalidades desportivas colectivas e outras que vão da garrafinha ao andebol, futebol e voleibol. Por lá, existem os que amam o 1.º de Agosto e os que amam o Petro de Luanda. Gostos e opiniões divididas, mas nunca a camaradagem é afectada. “Gosto do meu 1.º de Agosto pri, mas os meus amigos e colegas gostam do Petro. Somos amigos mesmo assim. Tenho um emprego bom e um salário. Mas não é tanto o salário que me anima. A amizade que estou a construir aqui, isso não tem preço. Para mim tem sido gratificante”, diz o jovem Fragoso Mateus, 28 anos, quatro dos quais dedicados a Laúca. Na pequena cidade, claro, sem prédios, há o Gira Laúca, inspirado no girabola Zap e a taça Laúca e até o Bola ao Ar. “Estar aqui, é mesmo muito bom. Apaixonei-me”, diz Abiúde Miranda, natural de Luanda. Quando lhe foi feito o convite para ir trabalhar em Laúca, demorou um mês para aceitar a oferta. Um dia aceitou. Foi ao projecto e apaixonou-se.

Está prestes a completar quatro anos e não pensa noutra coisa senão contribuir para o desenvolvimento do AHL. Mas tem um sonho: levar o filho de oito anos ao projecto para saber da grandiosidade de Laúca e dos feitos do Executivo. “Quero que ele saiba a razão da minha ausência, mas que saiba que o nosso país é capaz de fazer coisas da dimensão de Laúca”, sublinha. Fragoso Mateus responde com um conjunto de mais nove colegas pela montagem de mobiliário em quartos, escritórios e mobiliário urbano. Sempre que são chamados, respondem com inadvertida prontidão. Funcionam como um “formigueiro”. Cada um sabe o que fazer e o papel a desempenhar.

“Tem sido bom trabalhar aqui na área de apoio, especificamente na montagem”, diz. Tudo em Laúca é gigantesco. Artur Brandão, 29 anos, trabalha no departamento de segurança e higiene, concretamente, na preparação de louça e equipamentos para cozinha. Para lavar a louça, todos os dias usadas por mais de nove mil pessoas, só uma máquina da dimensão de Hobart é capaz de resolver. Água quente, sabão líquido e álcool etílico são os produtos para lavar a louça utilizada por milhares. Brandão Artur entra às 20 e só sai no dia seguinte às 7 horas.

Presidente da República acciona botão em Laúca

O acto de fecho das comportas, com o accionamento do respectivo botão acontece hoje, em Laúca, Malanje, o que marca o início de um processo que deve estender-se até Julho.  Esta acção, cheia de simbolismo e expectativa é feita pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que se desloca à província de Malanje para presidir à cerimónia de enchimento da albufeira do AHL. Na sequência, balões de várias cores e às centenas são lançados ao ar, num simbolismo de que Laúca traz para os angolanos “dias mais iluminados” e a seguir, o accionamento de uma sirene e um instante comemorativo. Feito isso, o Presidente visita a casa de força, onde estão as turbinas, sendo feita visita a uma delas. Antes disso, à chegada no aeroporto de Capanda, Malanje, o Presidente da República recebe cumprimentos do ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, e do governador Norberto dos Santos.

Ainda em Capanda são feitas as honras militares, cumprimentos das autoridades municipais e da direcção da Odebrecht, bem como manifestações culturais e saudação à população. Do aeroporto de Capanda, a comitiva presidencial sai em cortejo automóvel até ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, onde recebe cumprimentos do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, dos governadores do Cuanza Norte e do Cuanza Sul e da direcção do projecto. No AHL, o Presidente da República visita o centro de formação engenheiro Eurico Mandslay, onde é feita a exibição do vídeo de apresentação do AHL e na sequência uma visita à maquete.

De acordo com o programa, o Presidente José Eduardo dos Santos chega ao Miradouro da Montante, onde João Baptista Borges fala sobre o “fecho das comportas e o enchimento da albufeira” e depois da sua intervenção, seguir-se-á a apresentação de um vídeo de cinco minutos sobre a questão. Esta cerimónia constitui o concretizar de um projecto pessoalmente liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos e acaba por ser um justo tributo a todos os seus esforços no sentido de dotar o país das mais modernas infra-estruturas para modernizar Angola. Depois de toda a obra feita enquanto Presidente da República, esta cerimónia reveste-se de um enorme simbolismo e orgulho para todos os angolanos.

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