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27 de abril de 2017

Teatro angolano na Argentina

A estreia do grupo do Cunene num festival internacional surge na sequência de um convite do Instituto Nacional de Teatro da Argentina, remetido pela Secção Cultural da Embaixada Argentina à Direcção Nacional de Acção Cultural em Luanda, que por sua vez dirigiu a todos as direcções provinciais da Cultura. No documento a que o Jornal de Angola teve acesso, o Instituto Nacional de Teatro da Argentino convida os grupos interessados a candidatarem-se para a selecção internacional de espectáculos do projecto.

As despesas correntes da viagem, como alojamento, alimentação dos grupos seleccionados e transporte interno na Argentina são pagas pela organização, segundo o documento. O responsável do grupo, Jeremias Cangombe, disse ao Jornal de Angola que o Olonguisse aguarda pela resposta de uma instituição financeira para a disponibilidade de divisas por forma a suportar algumas despesas do elenco.

Iniciação feminina
“Efundula”, iniciação feminina realizada na província do Cunene e em algumas regiões do país, é o título da peça de teatro que o grupo prevê apresentar naquele país da América do Sul. O espectáculo, um drama criado com base em factos reais do sul de Angola, desenrola-se no interior de uma aldeia, em que é descoberto que uma jovem grávida está prestes a ser iniciada. A jovem está grávida do tio, irmão da mãe, que também é o soba da comunidade. A autoridade tradicional tenta convencer o namorado da sobrinha a assumir a gravidez devido os contornos que o facto pode trazer na aldeia.

O autor disse que o espectáculo, encenada por Félix Mor e dirigida por António Zamunda, vai ser levada à Argentina com uma parte do aparato tradicional, desde a representação do soba, os familiares da jovem visada e os utensílios usados na realização do ritual. As cabeças de gado são os únicos utensílios ausentes no espectáculo, disse Jeremias Cangombe que defendeu a necessidade de promover-se e divulgar as tradições de Angola no exterior por via de representações de teatro. “As tradições das várias regiões do país e da sobretudo africana estão cada vez distantes das grandes cidades e são muito apreciadas pelos estrangeiros.

Por isso, os grupos de teatro devem aproveitar as suas digressões para dar a conhecer um pouco mais sobre a sua cultura.” O ritual, que é conhecido por efico, no Namibe e na Huíla, é feito nas mulheres na etapa de transição (da adolescência à fase adulta) e deve anteceder um possível relacionamento amoroso. Apesar do nível académico ou classe, toda a mulher oriunda e residente deve passar pela iniciação antes de perder a virgindade e gerar filhos, sob pena de ser desprezada pela comunidade e pela família.

O colectivo de teatro Olonguisse está inscrito na Associação Mundial de Teatro, da qual faz parte desde 2013. Fundado há 12 anos, o grupo participa regularmente em festivais nacionais, sobretudo em Luanda, Namibe, Huambo, Benguela e Uíge. “Minha filha, minha namorada” é outra peça de referência do conjunto, distinguido com Prémio Revelação no Festival Nacional de Cultura (Fenacult).

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